Quando lutamos por uma crença acreditando ser uma verdade

A mente é capaz de empreender lutas sanguinárias por uma crença. Às vezes, estamos tão imbuídos da certeza, agimos tão certos da verdade que temos nas mãos, que só depois de termos destruímos tudo numa guerra santa, percebemos que o que tínhamos na cabeça era uma crença, não uma verdade.

A crença é algo tão poderoso e limitante que já destruiu países numa guerra civil, quando dois lados se colocam em oposição, acreditando que caminhos opostos podem levar o país à salvação. As pessoas brigam, se digladiam e são violentas para defender a ideia que acreditam até a própria destruição do próprio país.

Já vi crenças que afirmam que algumas religiões são “do mal”. O nosso mundo já acreditou que apenas o Cristianismo era a religião certa, o restante estava mergulhado no paganismo e por isso deveria ser varrido do mapa.

A igreja católica empreendeu suas guerras santas, onde já chegou a pensar que negros e índios não tinham alma, por isso podiam ser escravizados. Já se acreditou que os judeus deveriam ser castigados e exterminados, porque teriam crucificado Jesus, ou porque eram gananciosos e maléficos. Hoje, a guerra santa vem sendo empreendida por uma parte do mundo muçulmano, acreditando em algo parecido do que foi (e, às vezes, ainda é) uma ideia cristã.

Já ouvi pessoas cultivando crenças de que os ciganos não são pessoas confiáveis. Os loiros são falsos, os latinos sujos, os norte-americanos são arrogantes… Os homens superficiais, as mulheres complicadas.. Ou a crença que as pessoas querem sempre tirar vantagem de tudo…

Há ainda a crença que que o melhor é ver o mal, do que o bem nas pessoas… São escolhas de para onde se quer olhar. Acredita-se assim que podemos estar mais resguardados e protegidos.

No entanto, a crença separa, destrói, cria limites, fronteiras, cria o medo. O medo, por incrível que pareça, surge porque queremos ter a sensação que estarmos mais seguros. Todavia, no fundo, no fundo, cedendo ao medo e às crenças limitantes, estaremos apenas mais presos ao que é conhecido. Porém, nem sempre o conhecido é o mais favorável.

Quebrar uma crença e estabelecer outra no lugar, também não é fácil. Significa viver o caos do novo momento.

Pense que você é como um país que está estabelecendo uma nova crença, um novo hábito na sua população… Fazer a mudança nesse país não será fácil, milhares vão reclamar, alguns se levantaram em protesto pedindo mudanças nas mudanças, outros rejeitarão veementemente a mudança e se trancarão no que é confortável. Outros ficarão ainda mais radicais nas suas visões ortodoxas de como devem ser as coisas.

A crença pode estabelecer uma ideia fechada da verdade. Ela faz com que passemos a ler o outro a partir da nossa visão de mundo. Essa leitura acaba construindo um discernimento equivocado, porque acredita, a partir daquilo que espera da reação do outro,  já com os olhos do julgamento, que a reação apenas confirma a própria crença.

Por exemplo. Eu acredito que o outro está mentindo e quer me enganar. Assim, o sorriso do outro não é uma gentileza, não é simpatia, é uma ironia, é uma sedução para que eu caia no engodo… É o riso de quem está passando a perna para se dar bem. Eu acredito que o outro é agressivo porque quer esconder algo, quando na verdade ele quer me mostrar algo… Algo que eu não consigo enxergar e por isso ele tem colocado mais força, energia e agressividade. Entretanto, quanto mais eu resisto a ver a outra realidade, mais agressivo ele é e mais eu posso considerar que ele está omitindo algo e tem algum interesse oculto… Eu posso também acreditar que o outro quer me subjugar, me humilhar, e rejeito toda a ação. Talvez o outro queira apenas se expressar, nunca houve nenhum desejo de atingir ninguém.

As crenças podem gerar neuroses, psicoses, fobias, doenças mentais…

A crença nos coloca muitas vezes numa situação de defesa, de briga, com espada em punho, com faca nos dentes e sangue nos olhos. Estamos prontos para a batalha! Contudo, a única batalha que precisamos empreender é contra nós mesmos e por uma maior abertura mental. Exercite ser mais maleável e procure se colocar no lugar do outro, talvez ajude a flexibilizar a crença e a descobrir outras formas de pensar, viver, sentir e amar… Seja tolerante.

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