A maior de todas as estratégias

Um estrategista, frio, que usa da astúcia, da artimanha e da malícia para alcançar seus objetivos. Esta é a imagem do arcano do Rei de Espadas. A conduta moral deve ser elevada, mas independente da moral e da ética, o arcano revela uma pessoa profundamente astuta. Sua astúcia permitirá que chegue longe, mas se suas ações não forem condizentes com seu coração e com o intuito verdadeiro do bem, toda inteligência utilizada para alcançar o objetivo poderá fazer com que se afaste do coração.

A mente não deve estar dissociada do coração, afinal, o coração pensa, mas com uma qualidade diferente da mente. Os antigos consideraram o coração como a morada da alma. Vale ressaltar que não se trata do coração físico, contudo o coração físico seria a sombra da luz real de um coração espiritual. Uma vida longe da Alma, longe do fio da coerência emanado pelo centro do Ser, que estaria nesse coração espiritual, faria com que o estrategista se perdesse pelo caminho, ainda que alcançasse a vitória…

Evidentemente, a maior de todas as estratégias está na relação da consciência desperta com o nosso ego. Só ela pode dominar mente, sentimento e corpo e caminhar para a realização plena. Afinal, o rei de todas as artimanhas é o ego, entretanto, a partir do momento que conseguimos encontrar o fio que nos alça a consciência espiritual, é possível traçar estratégias para abandonar vícios, maus hábitos, fortalecer habilidades e melhora-las, além de construir uma estrada firme para a realização de sonhos e objetivos, sejam esses objetivos materiais ou espirituais.

Contudo, pensando nas estratégias do ego, podemos pensar que os políticos da atualidade lembram muito o arcano do Rei de Espadas. São estrategistas egóicos, no seu sentido de agirem por um interesse pessoal. Articulistas frios, onde a mente encontra meios para alcançar seus objetivos a qualquer custo. Esse estrategista muitas vezes lembra um psicopata, que não sente nenhum envolvimento emocional com a dor que causa, e acredita que os fins justificam os meios, sejam quais forem esses meios.

Talvez tenha sido pensando assim que Hitler construiu uma estratégia de dominação. A estratégia parecia infalível, e quase foi. Conseguiu fazer com que a Alemanha saísse do desastre do pós-guerra, se erguesse e quase dominasse o mundo. Não havia remorso em matar alguns milhões em prol do sonho de crescimento e poder. É possível fazer um paralelo entre o dominador exterior e nossa mente, ela também pode agir como um tirano, um eugenista, que quer exterminar partes internas por considerá-las um prejuízo ao que se tem em mente… Todavia, uma mente assim causa lacunas nefastas, vazios onde podemos perder partes de nossa própria alma.

Usar a inteligência para alcançar o que se deseja, sem observar os freios morais e éticos, este pode ser um dos lados negativos do Rei de Espadas.

Falando de estratégia, podemos ver a exemplificação desse arcano em líderes e generais da antiguidade como Leônidas, de Esparta (aquele do filme 300); Alexandre, o Grande; Genghis Khan; Júlio César. Esses generais utilizaram da estratégia e da inteligência para comandar e unir exércitos em torno de suas lideranças e dominar ou defender países e povos. De uma forma diferente, mas também grandes estrategistas, estão alguns místicos do passado, como Joana D’arc e Mahatma Gandhi e líderes como Mather Luther King.

Ainda como exemplo, vale ressaltar uma casta sagrada no Antigo Egito, conhecidos como Hierofantes (na verdade o termo vem do grego Hierophantes, que significa literalmente “aquele que explica as coisas sagradas”). Os Hierofantes eram sacerdotes, alguns destes, vizires, que viveram durante uma determinada época e que desapareceram com o tempo. No Egito, os Hierofantes eram homens de ética elevada e que buscavam sempre estarem próximos ao Criador. Eles consideravam que se não servissem para servir ao divino, não deviam viver. Seu sacerdócio passava de pai para filho, e por isso mesmo, com o tempo, foram diminuindo até desaparecerem.

Segundo o livro O Tarô Mitológico, de Juliete Sharman-Burke e Liz Greene, “O Rei de Espadas reflete o atributo da liderança intelectual que dinamiza e atrai o mundo. Sua ambivalência reside justamente na propensão para dissociar a emoção da mente”, que o pode tornar, aos olhos dos outros, algo não humano e por isso não confiável, o que acaba sendo um paradoxo. Afinal, o Rei de Espadas, em seu sentido puro, tem princípios elevados. Isto significa que ainda que ele faça mudar as peças do tabuleiro para ajustar o movimento presente ao que intui que veem como sendo o risco do futuro, a intenção não é o benefício pessoal, mas coletivo.

Assim, o Rei de Espadas pode definir que as janelas das casas devem ser fechadas a partir das dez horas da noite e todos precisam se recolher. Como justificativa ele pode dizer que o vento a partir dessa hora trará doenças terríveis, transmitidas pelo ar e que podem cegar os olhos. Ele faz isso para que a partir das dez horas o exército inimigo que tem feito cerco na cidade, passe pelas ruas sem ser molestado, levando as riquezas da cidade. O rei usa dessa estratégia sabendo que é melhor entregar as riquezas e salvar a população, mantendo no povo a crença no futuro e na paz. Ele sabe que a partir da paz poderão surgir novos ciclos que darão ao povo novas riquezas. A outra alternativa talvez fosse a guerra e o enfrentamento, algo que poderia ser desnecessário e abateria o ânimo da cidade, dificultando que ela se reerga com rapidez. Desta forma, um autêntico Rei conhece os movimentos e o que está no pensamento do seu povo.

Da mesma forma, a consciência (a Alma) que rege a vida também conhece os movimentos do corpo, da mente, das emoções e do coração… e sabe o que a espera mais adiante, nas curvas que o caminho ainda fará…e por isso pode adiantar aprendizados que serão necessários no futuro.

Como diz o Tarô Mitológico, o arcano nos diz que é hora de encontrar em nós o dom da liderança e da estratégia, o arrojo intelectual e a inspiração para desenvolver novos projetos, firmando a personalidade e imprimindo em si, e ao entorno, uma força mental realizadora poderosa capaz de se auto estimular e inspirar os demais.

 

 

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