Em busca do ideal de perfeição

A obstinação em fazer algo pode esconder um desejo de reconhecimento e aprovação. Muitas pessoas vivem a vida em busca de aprovação, de se sentirem merecedoras. Acreditam que precisam ser reconhecidas e vivem em função disto…

Mas, afinal, o que de fato nos motiva a começar um projeto? É o desejo de receber os aplausos ao final do processo? Se for por isso, devemos nos questionar: E se a aprovação e o reconhecimento nunca vierem, vamos nos tornar escravos de uma busca sem fim?

Para quem tem como objetivo o reconhecimento das pessoas, é importante que em algum momento dessa busca possa abandonar essa necessidade e se tornar auto-estimuladora, auto-aprovadora. Isto é, ela própria reconhecer seus esforços e crescimentos alcançados e se bastar com esse reconhecimento.

É claro que é bom ter o parâmetro do externo, e ouvir:

Que legal isso que você alcançou!

Continue por aí!

Muito bom ver sua realização, é um estímulo para mim!

Ou coisas desse gênero. Esse reconhecimento pode servir como o parâmetro que nos ajuda a ver que estamos indo pela melhor estrada. Mas esse tipo de reconhecimento nunca deve ser o objetivo do projeto, da empreitada ou da transformação que estamos implementando. Outra coisa, não dá para confiar em todo tipo de reconhecimento oferecido pelas pessoas. Afinal, alguns reconhecimentos podem não ser verdadeiros. E isso não significa que as pessoas querem nos prejudicar, mas simplesmente porque elas não prestam a atenção devida nem nelas mesmas, quanto mais nos outros. Ou, simplesmente, algumas pessoas estão acostumadas a dar tapinhas nas costas e não vão entrar no mérito se estamos fazendo o melhor, não querem conflitos…

Contudo, com a consciência desperta (confira o post A Consciência é Uma Flor que Nasce na Adversidade para entender melhor as questões do desenvolvimento da consciência), uma consciência não voltada apenas para desejos do ego, evitamos essas armadilhas. Com o desenvolvimento da consciência, buscando a verdade de nós mesmos, conseguiremos também fazer uma boa avaliação e discernimentos, a opinião dos outros será apenas um elemento a mais na balança, não todo o peso.

O ideal é que essa busca do reconhecimento exterior nos leve a busca real e ao melhor parâmetro.

Na Kabalah se aprende que todos temos um ponto de perfeição a ser alcançado. Contudo, esse ponto de perfeição é diferente de pessoa para pessoa, porque os estágios de consciência são diferentes e porque as almas são diferentes, com qualidades, missões e propósitos diferentes.

Entendo que há dois aspectos que precisam ser observados na busca da perfeição:

1 – O desejo de provar que se é capaz;

2 – O esforço obstinado para se melhorar dia a dia. Desta forma, eu sou o parâmetro para mim mesmo, e o que eu sou hoje é melhor do que o que eu fui ontem. Tudo isto com apenas o intuito sincero de melhorar.

Todavia, no fundo, os dois aspectos sinalizam algo que é inerente à alma humana e nos remetem a uma memória primordial. A memória de algo guardado no mais profundo do nosso ser, como um resquício daquela história onde o filho é expulso de casa pelo Pai e precisa se descobrir e provar o seu próprio valor até voltar.

Essa essência pode ser encontrada na história de Adão e Eva e sua queda do paraíso, assim como também na história do Filho Pródigo, contata por Jesus Cristo. A busca da perfeição e auto-superação pode ser vista ainda em várias histórias que contam a Jornada do Herói, histórias expressas em inúmeras mitologias, como as mitologias egípcias, gregas, celtas, hindus, sumerianas, cristãs, etc, e em filmes como a saga Star Wars e até na história de Frankenstein.

Na Kabalah o maior de todos os exemplos é o próprio Criador. No caminho de elevação espiritual somos chamados a olhar para esse exemplo e buscar aprender com Ele. Observando a benevolência do Criador e a beleza da criação, a perfeição da obra, a criatura vai se descobrindo encantada com o Criador. O amor vai acontecendo. Saat Maet  me ensinou que a tudo que amamos, queremos nos assemelhar. É assim que acontece na vida real, quando buscamos imitar nossos líderes, ícones, ídolos e amigos, enfim, as pessoas que consideramos e amamos de alguma forma. Consciente ou inconscientemente são como exemplos, e buscamos copiá-los.

Desta forma também acabará acontecendo na relação pai filho, mestre discípulo, padre/pastor e crente, devoto com seus santos ou profetas, e assim por diante. Claro que a idéia é buscar o espelho mais puro, o reflexo mais claro para nos assemelhar. E o melhor de todos será sempre o Criador. Todavia, quanto mais próximo de nós esse exemplo, mais poderosa será a possibilidade de acertamos o como fazer, mais clara será a mudança dos aspectos negativos que buscamos transcender. Assim o exemplo precisa ser verdadeiro, não uma ilusão. Verdadeiro na sua consciência mais elevada, ética mais alta, desejo mais altruísta. Não é preciso ser um super homem, na verdade está longe disto… É preciso revelar também fraquezas, fragilidades, dores, doenças, imperfeições. Tudo faz parte da perfeição: a fragilidade e a fortaleza em nós.

A Rainha de Espadas fala de nossa capacidade obstinada, da nossa fé inabalável nos mais altos propósitos e ideais. A nobreza desses ideais, e a busca por implementá-los em nós, possibilitará o aperfeiçoamento da consciência. Isto nos levará a ver mais a verdade, e assim obter uma vida com mais qualidade. E qualidade, aí, está dentro do que significa realidade interior e exterior. A qualidade, neste sentido, contém tudo que quer dizer real. Ela se assemelha a realeza, ao ouro, a consciência, a clareza, a verdade. Por isso a maior de todas as qualidades acaba sendo expressa em D’us.

O problema da Rainha de Espadas pode ser uma visão analítica em demasia, afastada do sentido que o perfeito contém dentro de si também o que é frágil. Com esse afastamento a Rainha de Espadas pode ver dificuldades em viver relacionamentos. Tudo por medo de lidar com suas próprias fraquezas. Essa tendência poderá impedi-la mesmo de encarar a vida na totalidade e ficar presa apenas ao ideal… Ela verá no mundo o impuro, o sofrimento, as incertezas. Um mundo onde tudo que não pode ser encaixado em termos de certo e errado não pode existir perto dela…

Entretanto, a Rainha de Espadas num sentido mais elevado coloca o ideal e propósito acima, mas não perde de vista a sua própria humanidade.

Na Torah uma dica sobre o aspecto da perfeição está no Salmo 69, quando Davi diz “O zelo por tua casa me consome“. Acredito que alcançar esse ponto, como expressão da mais pura verdade e prazer, significa uma grande realização 🙂

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