O despertar espiritual

Até os 22 anos o mundo para mim era apenas o real e o palpável. Assim, fui construindo uma mentalidade completamente racional, lógica. Cortando qualquer pensamento religioso ou fantasioso.

Um dia, o invisível me deu uma rasteira.

Apesar de ter um bom discurso, de viver em conversas inteligentes e dentro de um mundo lógico com bons amigos. Apesar de sentir prazer em discutir política, cinema e viver aventuras em relacionamentos como quem vive uma montanha russa. Apesar de um relativo sucesso no meu próprio meio, o meu mundo racional era imensamente infeliz. Eu me sentia cada vez mais vazio e sozinho, mesmo rodeado de amigos.

Lembrei-me de uma sensação de quando eu era criança, de uma presença acolhedora. Essa sensação não tinha nada a ver com religião, apesar de minha mãe sempre que podia me levar à Igreja. Eu relacionava esse acolhimento com Deus… não podia não relacionar minha infelicidade com a falta D’Ele. Sim, eu havia me afastado da Igreja Católica, a igreja que minha mãe havia me apresentado quando criança.  Considerava a Igreja antiquada, ultrapassada e entendia que ela não tinha mais nada a ver com o que eu acreditava. Então me afastei também da religião, por consequência.

Apenas mantive uma relação próxima com Jesus Cristo, sempre um personagem forte na minha vida…

Retornando aos 22 anos. Foi depois de constatar essa infelicidade e ver uma certa falência do que eu considerava um caminho mais racional que desejei retomar alguma relação espiritual. Naquela época (na infância) eu encarava Cristo como uma espécie de herói indestrutível. Coisa dos quadrinhos.

Fiz um pedido num ônibus, numa oração silenciosa desejei e pedi para sentir de novo aquele acolhimento de quando era criança… Meu pedido foi uma ordem.

Tinha me preparado para dormir mais cedo, estava um pouco cansado. Apaguei a luz e deitei na cama. Assim que fechei os olhos vi uma luz, um ponto minúsculo longínquo. Abri os olhos novamente e constatei que estava tudo escuro. Fechei mais uma vez. Lá estava o ponto de luz e eu comecei a perscrutar que luz seria aquela. Para minha surpresa a luz foi aumentando de tamanho. Parecia se aproximar.

Nesse momento foi me assaltando aquela mesma sensação de acolhimento da infância. Além do acolhimento, eu sentia uma imensa paz e amor. Não um amor físico ou carnal, algo que talvez seja parecido com o êxtase espiritual.

A luz se aproximava e ficava cada vez maior e eu só conseguia dizer uma palavra: sim, sim. A cada palavra afirmativa a luz dava mais um passo em minha direção e se ampliava.

Eu sentia um misto de emoção, prazer, alegria. A luz continuava a se aproximar. Já não havia nenhuma escuridão, mas meus olhos continuavam fechados. Senti que o ‘encontro’ estava próximo. Nos tocaríamos. Nesse momento um pensamento rápido passou pela minha mente. Foi numa fração. Por uma fração a gente perde o paraíso, já ouvi dizer.

Me perguntei: Será que vou morrer? Será que vou perder o controle do meu corpo? Bastou esse pensamento e a luz desapareceu e eu me quedei novamente lá, no escuro do quarto. Sozinho.

É difícil dizer qual era a sensação, mas era como se ao meu redor minha energia estivesse prestes a explodir. Meu corpo estava quente. Abri os olhos, sentei na cama e a primeira coisa que pensei foi de volta a lógica e a razão. Pensei que talvez meu cérebro tivesse me pregado alguma peça e eu tivesse sofrido algum ataque epilético, uma alucinação. Mas eu tudo mudou a partir daí…

Deste dia em diante minha percepção do mundo ficou alterada. As ‘coincidências’ se tornaram absurdas de mais para serem coincidências. Eu pensava em alguém e essa pessoa ligava. Eu falava que queria encontrar alguém e encontrava. Em algumas conversas era como se eu soubesse exatamente qual seria a frase seguinte que seria dita, e muitas vezes sabia… Mas não foi só isso.

Uma parte do mundo espiritual se descortinou. Eu passei a ouvir, ver e sentir… gente morta, como dizia Haley Joel Osment no filme ‘O Sexto Sentido’. Não vou mentir: foi assustador. Descobri que nunca estamos sozinhos. Meu quarto parecia uma peregrinação de viajantes à noite.

Bem, nesse ínterim um amigo me levou á um Centro Espírita – contra a vontade de minha família, principalmente minha mãe e minha irmã, uma católica fervorosa e outra, a época, evangélica gênero fundamentalista. Venci o meu próprio preconceito com o espiritismo e fui assim mesmo. Fiquei encantado. Recebi alguns passes e comecei a entender um pouco mais o que me acontecia. Nunca vi tanta gente, das mais diversas idades, acreditando que havia vida fora da Terra. Achei divertido, e mais próximo de mim, longe daquela visão que considerava cheia de pompa da Igreja Católica e que eu estava acostumado.

Vocês podem achar que eu cedi rápido demais ao invisível. Não foi rápido. Passei 22 anos lutando até ser vencido. Poderia continuar buscando uma explicação lógica, é verdade, mas preferi acreditar que as sensações que envolveram meu despertar espiritual não podiam e nem deviam ser explicadas por descargas de neurônios aleatórias. Tem outra coisa, o mundo invisível se mostrou tão palpável para mim, quanto o invisível. Como negá-lo? Além do mais, é difícil conviver com espíritos e ficar achando que é tudo uma ilusão, eles são bem palpáveis, apesar de invisíveis… vão por mim a invisibilidade é só uma aparência…

A partir daí começou minha saga para entender esse mundo a nossa volta que aparentemente ninguém via. Meu mundo metodicamente cartesiano foi abrindo espaço para outra realidade. Primeiro: descobri que os espíritos existem sim e eles estão muito próximos de nós. Interagem praticamente a todo instante. E, ao contrário do que pensam muitos, nesse mundo invisível estão espíritos que podemos chamar de bons e de maus, ou apenas confusos. Morrer não faz de ninguém um santo. Se era endiabrado em vida, continua do mesmo jeito depois de morto. Não há solução mágica. A pessoa precisa ACORDAR para a LUZ. E vou dizer, nem todos vêem a luz. Às vezes, para esses espíritos, não há luz nenhuma durante anos.

Entendi que a morte é apenas uma passagem. Nada termina. Nada. A vida continua com uma qualidade bem maior do que a vivida no plano terreno. Claro, tudo depende do grau de evolução de cada um.

Aprendi acima de tudo que não devemos temer os mortos. Também não precisamos procurá-los. Eles sabem o endereço. Descobri também que acreditar apenas no que revelam os cinco sentidos é limitar demais a realidade do universo na percepção difusa das nossas próprias necessidades.

Essa experiência deu início as minhas buscas até que um ano depois encontrei Saat Maet, minha mestra e a AD’OR Centro de Expansão da Consciência. Mas conto esse encontro em outro post. 😉

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