Apresentando: Nasrudin

Vale ressaltar: Ninguém sabe se Nasrudim de fato existiu ou não, mas sua fama é imensa. As histórias, a princípio anedóticas, são muito mais que engraçadas. Assim como as histórias da Kabalah, alguns dizem que têm quatro leituras (talvez nem todas).

Percebe o que quero dizer?

Nasrudin esparramava punhados de migalhas em volta de sua casa.
“O que você esta fazendo?”, alguém perguntou.
“afugentando os tigres.”
“Mas por aqui não há tigres!”
“Viu só como funciona?!”

Adivinha?

Um gaiato encontrou Nasrudin. Levava um ovo no bolso:”Diga-me. Mullá, você leva jeito para brincadeiras de adivinhação?”
“Algum”, disse Nasrudin.
“Muito bem. Então me diga o que tenho no bolso.”
“Dê ao menos uma pista.”
“Tem a forma de um ovo, é amarelo e branco por dentro e parece um ovo.”
“Algum tipo de bolo”, disse Nasrudin.

Não é assim tão louco

Nasrudin levou seu trigo ao moinho. Enquanto esperava sua vez de moê-lo, foi pegando punhados de trigo dos sacos dos outros e colocando-os no seu próprio saco. Ao percebê-lo, o moleiro perguntou:
“Escuta aqui, o que está fazendo?
“Nasrudin respondeu com indiferença: É que eu sou louco. Faço o que me vem à cabeça.”
“Se é assim, por que não pega o trigo que é seu e o distribui pelos sacos dos outros?”
“Meu caro”, respondeu Nasrudin, “sou um louco comum. Se eu fizesse isso que você propõe, aí eu já seria um doido varrido.”

O sermão de Nasrudin

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita. Ele concordou. Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:
“Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?”
“Não, não sabemos”, responderam em uníssono.
“Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja”, disse o Mullá, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo. Desceu do púlpito e foi para casa.
Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudin fazer um sermão na sexta feira seguinte, dia de oração.
Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes.
Desta vez, a congregação respondeu numa única voz: “Sim, sabemos.”
“Neste caso”, disse o Mullá, “não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora.” E voltou para casa.
Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão de sexta feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.
“Sabem ou não sabem?”
A congregação estava preparada.
“Alguns sabem, outros não.”
“Excelente”, disse Nasrudin, “então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimentos àqueles que não sabem.” E foi para casa.

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