O medo do futuro: envelhecer, morrer…

Há medos que nos acometem de tempos em tempos… Medos que nos fragilizam profundamente. São relacionados com o que o esperamos do futuro ou com o que acreditamos que nos aguarda no futuro. São coisas diferentes, um se refere a expectativas, e se assemelha a uma ansiedade de algo que acreditamos que fatalmente irá nos atingir. O outro se refere a um temor de para onde está indo a humanidade, mas não necessariamente é algo certo… que irá realmente acontecer, ainda que haja probabilidades.

Entre os medos, digamos assim, clássicos ;), estão medos de envelhecer, morrer, ou que alguém que amamos morra. Medo de perder o emprego e ficar desamparado, medo de enlouquecer. Medo de ficar doente e impossibilitado, de perder a liberdade de movimento, a liberdade de pensar, lembrar, ser independente… Talvez estes sejam os medos mais comuns, mas tem gente que morre de medo de uma guerra. Teme a escalada da violência, a chegada do estrangeiro, o contato com outros costumes, que por algum motivo pode considerar maléfico. Tem gente que tem medo de um mal quase abstrato. Medo do apocalipse. E tem até aqueles que têm um medo do futuro que não consegue traduzir claramente em palavras, mas esse medo passeia, invariavelmente, por essas áreas que já falei…

Bem, dito isto, devo dizer que existe um outro temor, provavelmente maior do que todos esses juntos: é o medo de não cumprir o que manda a consciência. Este é o único medo que realmente passa de uma vida para outra. Não é só o medo de chegar ao final da jornada sem a sensação de dever cumprido. Isto é, olhar para trás com a satisfação que valeu a pena e que não ficou nada por fazer. Digo isso relacionando a direitos e deveres de cada. No Livro dos Mortos, do antigo Egito, está descrito a hora do Julgamento do morto. Neste momento o morto deve fazer um juramento de tudo que fez e do que não fez. São os deveres e direitos… os dois PRECISAM ser realizados.

O direito de ser feliz, de extravasar, brincar, se divertir, amar, pensar livremente, se movimentar livremente. O direito de não ser ferido por ninguém. O direito de não se preocupar tanto com o que pensam os outros. O direito de ser autêntico, intenso, único. O direito de contribuir de alguma forma com a vida, contribuir com o que cada um tem de melhor, com a sua expressão, sua linguagem, sua verdade interior. Uma verdade que está em cada um e é como um diamante, uma estrela, um sol único. Não realizar esses direitos seria como privar o mundo da sua própria luz.

Há também os deveres…

O dever de não ser honesto, não ferir ninguém, não impedir ninguém de ser quem é, ou de ser quem poderá vir a ser. Não forçar ninguém a ser ou a fazer o que não quer ser ou não quer fazer. O dever de não chantagear, não humilhar, não oprimir. O dever de não matar. O dever de lembrar quem deu a vida e de qual o propósito dela. Todos esses deveres se referem a si mesmo, não ao outro, porque um outro dever inalienável, é não julgar ou condenar quem quer que seja. Temos o direito de nos negar a aceitar algo que o outro escolheu para ele. E da mesma forma não devemos escolher algo para o outro, a não ser que ele permita isso.

Claro que em tudo isso existem nuances de uma vida em sociedade e muito discernimento para reger o que é comum a todos, onde direitos e deveres de uns podem se chocar com direitos e deveres de outros e de uma coletividade. É aí onde começa a confusão muitas vezes… mas em linhas gerais aí está boa parte da lei.

Mas no Nove de Espadas, o que está em jogo é o medo e a ansiedade pelo que nos espera no futuro. Contudo, a questão maior sempre será a consciência. É este o ensinamento dos sábios de abençoada memória.

Eles dizem: Mantenha sua consciência tranquila, em dia e clara. Seja consciente a respeito do que você sabe que deve fazer e do que você tem direito a fazer. O resto é ilusão, são temores em relação a um futuro ao qual não se tem controle. Lembre-se: quanto mais livre se é, menos medos se tem. Afinal, não adianta temer o futuro, só é possível dispor do que existe no presente.

 

 

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