Os fins não justificam os meios

Chegamos ao Sete de Espadas. Às vezes queremos calar o outro de qualquer jeito, mas os fins não justificam os meios.

O sete de espadas, normalmente, nos coloca numa situação difícil. Às vezes precisamos fazer algo que consideramos que não está muito certo. E realmente ficamos no limiar do que é moral e do que é amoral. Assim, carregamos a sensação que não estamos sendo completamente honestos com o outro.

Todavia, há momentos na vida que é preciso usar de estratégia e astúcia para alcançar um objetivo, para chegar em algum lugar, por mais doloroso e, às vezes, estranho que pareça fazer algumas coisas para isto.

É difícil explicar o sete de espadas. Um exemplo. Podemos pensar que um subordinado que vive sobre domínio de um chefe carrasco, quer deixar o setor onde se sente oprimido e está tentando um transferência. Todavia, ele sabe que se pedir diretamente não conseguirá a transferência. Ela será barrada pelo chefe. Então, ele precisa ser astucioso, sem perder a diplomacia, para conseguir o seu intento. Mas se fizer a ação de uma forma desonesta ou até revelando o que ele considera a maldade do chefe, poderá colocar sua saída do setor em risco e até, ainda, ser demitido sumariamente. O Sete pede uma ação ética, num limiar de uma espécie de campo minado, por isso é preciso andar com cuidado, mas sem deixar de construir o caminho para a saída da situação.

Talvez uma boa ilustração, ainda que profundamente trágica, sobre o Sete de Espadas, esteja na história mitológica de Orestes, Clitemnestra, Egisto e Agamenon.

Durante a guerra de Troia, Agamenon acabou ofendendo a deusa Ártemis (também conhecida como Hécate). Ártemis cria uma tempestade impedindo que armada de Agamenon alcance a praia de Troia. Para permitir que Agamenon siga com a armada, a deusa pede que Agamenon ofereça a filha Efigênia em sacrifício. O que é feito pelo guerreiro.

Contudo, o sacrifício de Efigênia provoca a ira da mulher de Agamenon, Clitemnestra. A mulher resolve junto com o amante, Egisto, matar o marido numa emboscada. Assim acontece após o fim da guerra de Troia. Após a morte de Agamenon, o deus Apolo se apresenta para Orestes, filho de Agamenon com Clitemnestra, e pede que Orestes vingue a morte do pai, matando a própria mãe. Orestes tenta se eximir do matricídio, mas Apolo o ameaça com a loucura e terríveis castigos. Ainda, Orestes deverá obedecer a lei trazida por Apolo, que diz ser uma obrigação sagrada de um filho vingar a morte do pai. A argumentação de Apolo procede… Dentro das histórias mitológicas é possível ver essa mesma ação em vários mitos que contam as lutas dos filhos para vingar a morte de um pai. O mesmo preceito está também em histórias mais modernas, como a de Hamlet. No final das contas o pedido do deus não pode ser negado.

No livro O Tarô Mitológico, de Juliet Sharman-Burke e Liz Greene, todo o naipe de espadas conta a trajetória de Orestes para cumprir a vontade de Apolo. No sete, Orestes se esgueira pelos muros do palácio de Argos a fim de cumprir o pedido do deus. A sua finalidade, matar a própria mãe, guarda algo de amoral. Mas ele precisa realizar a missão e por isso usa de subterfúgios, se esgueira escondido, para conseguir chegar nos aposentos da mãe. De outra forma, se chegasse em carro aberto, ele mesmo poderia ser morto pela mãe e seu amante.

Desta forma, o Sete de Espadas nos coloca frente a situações extremamente conflitantes e nos pede para agir com astúcia e diplomacia, até ocultar toda a verdade em prol de um objetivo.

Tirando o ensinamento do mito e o extremo que ele coloca, o que é preciso entender no arcano é que algumas vezes precisamos fazer o que parece ser errado e está realmente no limiar do malfeito. Entretanto, o que vai dizer se é moral ou não a ação está realmente no meio utilizado. Orestes não se apresenta claramente e anda escondendo sua real intenção. Mas sua intenção é sustentada pela lei, e pelo reequilíbrio de uma situação exterior, isso não significa que ele não será julgado ao fim do processo. Ele deverá assumir a responsabilidade do feito, mas precisa se manter íntegro na sua ação até lá.

 

 

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