O amor e o autoconhecimento

O caminho espiritual ensina que é preciso que cada um de nós chegue ao amor ao próximo. Mas para amar ao próximo, primeiro é preciso amar a si mesmo. Minha mestra, @saatmaet, me ensinou que para me amar eu preciso me conhecer. Ela me explicou, lembrando a máxima de Jesus Cristo, “Ame o próximo como a ti mesmo“, que não amamos o desconhecido. O amor só acontece se nos permitimos conhecer o outro. Só conhecemos o outro e sentimos empatia por sua dor, na medida que descobrimos dentro de nós algo semelhante a sua dor… Então, se quisermos aprender a doar, a amar, devemos começar nos conhecendo…

O processo de autoconhecimento não é fácil de acontecer, talvez por isso as escolas iniciáticas egípcias, as gregas, a Kabalah, e as filosofias secretas, do passado e do presente, sinalizem a necessidade de um mestre vivo guiando o neófito. O maior problema do autoconhecimento é o ego e o autoengano que ele provoca. Contudo, muitos hoje ainda apostam num caminho autodidata.

Nenhuma escola diz que isso não é possível, mas frisam que muitos neófitos, dentro de seus próprios muros, acabam caindo nas tramas da personalidade, mesmo sob a orientação de um guia que já viveu o caminho. Para essas escolas isso é uma prova de quão difícil pode ser a trilha sozinho. As armadilhas da vaidade, do orgulho, do medo, de crenças equivocadas, do engano, são grandes para chegar ao discernimento da verdade.

Para chegar no amor incondicional é preciso viver provas de desprendimento de sentimentos como ressentimentos, mágoas, revanchismos, medos e dificuldades de se entregar. Todo sentimento de incapacidade, insegurança, ou desvalor, deve ser abandonado. Esses sentimentos provocam o medo… e abrem as portas das expectativas quanto ao outro e ao futuro.

O espiritual ensina que não conseguimos amar a nós mesmos por acreditar que não somos merecedores, por sentirmos vergonha, as vezes essa vergonha de uma lembrança primordial, onde nos consideramos indignos – inconscientemente.

Para chegar ao amor incondicional é preciso permitir que o fluxo emocional vibre sem interrupções ou medos e que qualquer sentimento que dificulta a entrega seja afastado. Todavia, para afastar o medo e conseguir se entregar sem medo, é preciso se saber com profundidade e propriedade. Porque não conseguimos dar aquilo que não sabemos que temos, nem reconhecemos. E se percebemos deficiências, sempre daremos de forma desconforme, como se estivéssemos vestindo uma roupa que não nos cabe. Essa desconformidade pode vir para fora através da vaidade, do orgulho, ou de uma abertura permissiva para com o outro.

Entendo que para o processo amoroso acontecer de forma plena no íntimo de cada um, é preciso alcançar o auto-perdão, a aceitação, a integração e a compreensão de quem se é e de tudo que um dia negamos a nós mesmos, e porque negamos. Construindo um caminho de apaziguamento. A partir daí, o fluxo das águas do amor incondicional começará a jorrar para dentro de nós e transbordará chegando até o próximo… Que assim Hashem permita…

Este é o princípio do Pagem de Copas.

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