Às vezes é preciso correr atrás do amor

Às vezes, o amor se instala aos poucos. Quando a gente percebe já aconteceu. Não adianta não querer, não adianta fugir… O amor pode surgir depois de encontros furtivos. Era apenas sexo, pode surgir de uma amizade. Pode até ser uma correspondência à distância. Não importa. Toda troca pressupõe um quinhão de amor. E ele pode desabrochar na sua forma mais clássica, ou não…

Às vezes, é difícil reconhecê-lo e entender sua dimensão dentro de nós. Estamos tão imbuídos de satisfazer nosso próprio desejo que o outro nada mais é que uma ferramenta, um objeto descartável, um adorno. Às vezes belo, prazeiroso, estimulante intelectualmente, aconchegante afetivamente. Podemos acreditar que o outro nos pertence e foi concebido para nos satisfazer. Na maioria das vezes essa crença é inconsciente :), é claro, quase ninguém quer assumir seu próprio egoísmo no amor e no prazer.

Quando é assim, o prazer apenas para si. Ao nos dar conta, precisamos chegar a quase perder o amor. Tudo para se render a emoção. Precisamos largar o orgulho, o engano… Vamos ter que correr, nos curvar, arrumar o coração, a mente e a emoção. Reconstruir a razão para abrir espaço dentro de si ao inesperado amor. Temos que ceder o amor a quem antes considerávamos que deveria ser apenas como um/uma serviçal, alguém menor. Vamos nos sentir subjugados por essa força que arrasta e enlaça a tantos e tantos ao longo do tempo.

Tudo vem do amor. E ao reconhecê-lo dentro de nós devemos ser rápidos, ligeiros!

Não deixe que o amor escape. É preciso segui-lo nem que seja pela toca do coelho de Alice, entrar no seu mundo fantástico onde nada parece ter sentido, mas tudo é cheio de um sentido moral, psicológico. Uma viagem na busca do amadurecimento. A nossa adolescência interior, como a de Alice, está se perdendo, sumindo. Deixaremos o mundo da inocência. Estamos entrando no mundo adulto das responsabilidades. Vamos ter que aprender a lidar com o inferno interior, assim como o paraíso. Não dá para escolher apenas um dos lados da relação…

Quando descobrimos o amor, é como se Afrodite/Vênus (o planeta, ou a deusa) se mostrasse inteira. A deusa era conhecida por seus arroubos de desejo, pela confusão que podia causar nos mortais quando lhes fazia serem flechados por cupido. Mas Afrodite, abençoava as as relações verdadeiras com o amor duradouro e profundo.

Todavia, o que vem a ser uma relação verdadeira, se tudo passa pelo espelho do ego, fica a pergunta. Cada um precisa achar sua resposta…

Encontrar Vênus, é como ver a Rainha de Copas, que em determinado momento grita para Alice: “Cortem-lhes as cabeças!”… Talvez ela esteja certa, e cortar as cabeças, seja o mesmo que dizer que com o amor, a cabeça nem sempre manda, o juízo tira férias, a razão vai embora. Assim é preciso para que o amor encontre espaço e uma nova razão se estabeleça, outro juízo se faça.

É preciso alcançar uma dimensão maior de si mesmo. Esquecer quem traiu, quem usou quem, o medo, o ciúme, a raiva, se entregar. Para chegar aí devemos estar dispostos a fazer qualquer concessão. Devemos estar dispostos a não colocar condições.

Afinal, como vamos chegar ao amor incondicional? Mas isso é outro tópico…

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