Embriagado pela obra do Criador

Alguns místicos parecem que ficam acometidos com uma espécie de febre, um amor tão forte pelo Criador e sua Obra que acreditam que nada é o suficiente para satisfazer ao Bem Amado.

Uma das interpretações dos Cânticos dos Cânticos, da Bíblia, é que a Noiva, mencionada ali, simboliza a Alma, e o Noivo, o próprio Eu Superior. Desta forma, esse Eu, seria a força luminosa que espera para desposar a sua parte que está na Terra vivendo o aprendizado.

Outra visão explica que a Noiva é a Humanidade, e o Bem Amado, o Criador.

Pensando de uma forma ou de outra, podemos pensar que a Amada se perfuma ao longo das vidas, e o perfume é feito da essência dos aprendizados e da sabedoria que construiu. A amada arruma sua casa, o interior e o exterior, e se prepara para a noite de núpcias, quando Amado e Amada se conhecerão. Conhecer essa outra parte é tudo que a Alma almeja.

Conhecer, nesse sentido, é saber, exprime troca e, ao mesmo tempo, uma mistura. As fronteiras de cada um são ultrapassadas e o que era dois se torna Um. Na verdade, podemos dizer que os dois elementos são o mesmo, apenas estão em estágios, ou funções diferentes.

Há uma obra em francês cujo título é “Akhenaton, o faraó embriagado de Deus“. Akhenaton foi um faraó que viveu há mais de 3500 anos e implementou uma reforma religiosa no Egito em prol do Deus Aton, um Deus sem nome, (Aton significaria Senhor), sem forma ou representação. Por seu amor a Deus, ele queria revelá-lo. Contudo, a ideia era muito abstrata para o povo comum. Talvez, por isso, por falar do mais sagrado da sacada do palácio, e revelar que tudo são aspectos do Absoluto, ele foi chamado de herege.

Outros místicos vivem essa sensação de serem tomados, sentirem que as suas fronteiras desaparecem e tudo é apenas a maravilha de um Reino de energia e graça vibrando com uma força descomunal. Não há desejo que vá contra. É como se a única vontade fosse se diluir, mergulhar no mar que é o divino. Toda essa visão de êxtase tem a ver com o arcano do Mundo.

Mas nem tudo são maravilhas no Mundo, há perigos. Um dos perigos do arcano é acreditar que se está no topo sem ter chegado de fato. Alguns até têm sensações parecidas com as descritas aqui, mas não fizeram o trajeto necessário para poderem mergulhar no mar e saírem sem se perder. Afinal, o propósito da Obra é que a Criatura mantenha sua individualidade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: