A liberdade do Louco

Chegamos ao arcano do Louco. Um personagem solto, livre que apenas caminha. O seu caminhar o leva às vezes ao abismo, mas ele não chora a queda, nem lamenta os ataques do cachorro, ou os animais que estão abaixo e podem lhe machucar. Ele vibra com a natureza, se sente um com o Todo.

Tudo é UM. Assim, ele é o animal, o abismo, a natureza, o ataque do animal, a flor, as roupas, o Nada. Por isso ele não se perturba. O Louco é a imagem da própria Alma que caminha e para quem, como diz Fernando Pessoa, “tudo vale a pena“.

Então, não existe experiência boa ou ruim, mal ou bem, tudo é um coisa só e tudo leva para a mesma certeza: “o que está abaixo é como o que está acima para realizar o milagre da coisa Una“.

O Louco enxerga outra lógica no mundo, mas está impossibilitado de revela-la, por mais que tente, outros que não veem como ele o tacharão de idiota e ingênuo. O Louco aqui, no final do Tarot, simboliza o mestre em ascensão. Ele não impede a corrente porque entende as paralelas que fluem a partir dele e do próprio Absoluto. Ir contra a vontade do Alto não é uma opção, sua entrega é total.

O Louco passou o Julgamento e teve acesso a memória universal, ele sabe de tudo e ao mesmo tempo não se preocupa em guardar nada. Despojado do próprio saber, entende que terá acesso a inteligência cósmica a medida que a vida lhe exigir isso. Ele entende e vive como um peregrino lembrando da meditação expressa por Jesus: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça”.

Estamos no fim da jornada e a porta se abre, ele deve decidir se irá passar ou não… Ela dá acesso a uma cobertura de um edifício de sete andares (alguns afirmam serem 10). O fim está próximo… Fecho com “Não digas nada!“, de Fernando Pessoa: “Talvez que amanhã, em outra paisagem, digas que foi vã toda essa viagem. Até onde quis ser quem me agrada… Mas ali fui feliz. Não digas nada“. Absolutamente, não foi vã a viagem. Caminhamos até onde conseguimos ser o que nos agrada, ainda que venhamos a perceber que nossos gostos e desejos são transitórios, entendo que o agrada aí, se refere mais a Alma e ao Criador, do que ao Ego.

O arcano do Louco é colocado normalmente como Zero, ou 22, mas nesta interpretação me guio pela Kabalah aliado às letras do alfabeto hebraico para identificá-lo como 21.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: