O que fazer dentro do poço, no olho do furacão

Ninguém tira férias para passar um temporada dentro de um poço, muito menos resolve fugir para o olho de um furacão. Mas construímos sim, tanto o poço quanto o furacão, como uma espécie de refúgio às avessas. E é bom que quando estivermos dentro, do poço, do furacão, reconheçamos que talvez seja a hora de encarar padrões, olhar o que jogamos no poço e não olhamos mais, viraram crenças… Olhar com outros olhos para o passado, fazendo uma ponte com o presente.

Afinal, na crise máxima não temos mais nada a perder, estamos dispostos a qualquer movimento. Queremos, ou devemos querer, reconhecer, desapegar, abandonar formas de pensar, agir e ser, que nos aprisionam. A tentação dentro do poço é se perder nas lembranças e achar que vamos montar de vez o quebra-cabeça da nossa história, entender de vez medos, apegos, inseguranças e fazer as pazes com todo o passado.

Tenha paciência. Você ainda vai voltar aí. Montar esse quebra-cabeça precisa ser feito com tempo…Não é possível entender tudo indo uma, duas ou três vezes ao inferno interior. É preciso fazer dessas visitas algo mais natural. Isso precisa virar uma constante, não uma excessão.

Eu costumo brincar dizendo que a gente vai tanto no inferno interior que resolve mudar a mobília, a iluminação, botar um ar refrigerado. Isso acaba tornando o ambiente mais aprazível. Para mim esse é o melhor conselho…

No outro exemplo, imagine que você está no olho do furacão, tudo parece voar ao seu redor. Um silêncio impressionante vai se formando. Encare os objetos que voam. Se veja também suspenso no ar. Entenda. Não existe chão. Não existe nada. A única “coisa” que existe é você… e o Criador, assim nos ensina a Kabalah.

Tudo isto me faz lembrar de uma música de Caetano Veloso (José) que nos remete a história de uma crise com tintas trágicas: a história de José, contada na Torah. O jovem vendido pelos irmãos como escravo. “Estou no fundo do poço. Meu grito lixa o céu seco. O tempo espicha, mas ouço, o eco. Qual será o Egito que responde e se esconde no futuro? O poço é escuro, mas o Egito resplandece no meu umbigo. E o sinal que vejo é esse, de um fado certo. Enquanto espero, só comigo e mal comigo, no umbigo do deserto“. “José” serve como ilustração para o momento de crise profunda que é uma oportunidade. E José, o que aconteceu com ele? Virou vizir no Egito… e salvou toda a família.

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