Um mergulho no mundo da Lua

A Lua é dos amantes, dos poetas, dos músicos e pintores, é dos loucos, dos cheios de vida. Ela é a testemunha da vida… Agora chegamos ao mergulho mais profundo, aquele onde nos perdemos, deixamos de existir praticamente, pelo menos enquanto o Ego que começou esse processo espiritual e de consciência. Não seremos mais os mesmos.

Nos damos conta da finitude da vida, mas nos damos conta também que esse fim mantém oculta outra linha… Uma linha que liga essa vida a outra vida e assim sucessivamente. Nesse mergulho vemos nossos maiores medos, por isso, enquanto avançamos na Lua, o medo está presente, um medo irracional, inconsciente… mas vemos eles também se diluírem.

Esse mergulho é como estar na proa de um barco nas águas do mar interior. As águas não são translúcidas, pelo contrário, estão escuras. Olhamos para elas e vemos apenas um espelho. O espelho do céu na terra. E nesse espelho vemos a nossa imagem, e como um Narciso apaixonado nos jogamos ao mar. Descemos nessas águas… e enquanto vamos avançando para o fundo, vão sendo largadas certezas sobre nós e sobre o mundo a nossa volta.

Largamos controle, crenças, pessoas que considerávamos que não conseguiríamos viver sem. Largamos a vitimização, o orgulho, a vaidade. A insegurança chega ao máximo e ela também é deixada pelo caminho… O mar é como um diluente, nos liberta e purifica.

É como estar nas águas uterinas, mas não o útero materno, o útero divino. Não é a concepção de uma vida, mas de nós enquanto Ser Humano. As águas nos abraçam e é como sermos abraçados pela luz. Nos damos conta que estamos sendo gestados, somos o fruto do amor de Deus.

Os antigos egípcios diziam que no princípio, antes do Criador surgir, havia um mar… A Kabalah diz que o Absoluto habita algo como o Nada… O mergulho pode nos levar a sentir como se estivéssemos repetindo esse princípio… No fundo do mar interior, nesse mergulho, retornamos a origem. Podemos, enfim, vislumbrar que essa vida é apenas um fragmento de algo muito, muito maior. A descida não é fácil, mas é recompensada com águas refrescantes. Reencontramos a nossa Alma.

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