O outro não é um inimigo

O inimigo não é o outro. Na verdade, invariavelmente, o inimigo somos nós mesmos. Podemos pensar que o outro nos deve algo, ou não nos dá. Podemos pensar que o outro é mau, por ele ter feito algo ou deixado de fazer. Com este tipo de pensamento, algumas pessoas entram numa espécie de paranoia, se sentem perseguidas, injustiçadas, acreditam que o mundo lhes deve algo, vivem como vítimas das circunstâncias. Enxergam o mau nos outros e más intenções ou maldade nas palavras, intenções e sorrisos.

O que acreditamos ver no outro, na verdade, pode ser uma projeção de algo que está em nós. É verdade que o mal existe dentro e fora de nós, mas devemos nos questionar sempre se não estamos medindo as outras pessoas pela régua e pelos valores que nos regem. Será que não achamos que o outro é capaz de pensamentos e atitudes egoístas e perversas porque é exatamente assim que nós somos?

Projetamos o nosso universo como sendo uma realidade também para a outra pessoa. Mas o outro pode ter uma outra vivência, outros sentimentos e suas motivações não passarem nem perto do que são as nossas motivações. Por exemplo, deixamos um notebook no trabalho aberto, lá estava acontecendo uma conversa numa rede social sobre os colegas. Somos chamados para uma situação de emergência e saímos tão atordoados que não lembramos de desconectar, nem desligar o computador. Depois que passa a urgência, vem na memória o que ficou à mostra. Podemos começar a pensar se os colegas leram as mensagens. Será que este pensamento não vem tomando como parâmetro, muitas vezes, uma atitude que nós faríamos normalmente se o evento acontecesse com outra pessoa?

Em outro caso, perdemos a carteira com dinheiro. Uma pessoa acha e lhe entrega, mas só com os documentos. Você fica feliz com os documentos, mas pensa por um momento se a pessoa pode ter ficado com o dinheiro… Devemos sempre nos perguntar se não é o nosso movimento costumeiro que estamos esperando no outro? Se a atitude que esperamos do outro seria algo que faríamos se estivéssemos na sua posição, ou que pelo menos nos passaria na cabeça como uma tentação.

O arcano pede que paremos de olhar o outro como a fera e encaremos a besta dentro de nós. Essa fera precisa ser dominada e algumas vezes até exorcizada. Devemos entender que “os outros são os outros, e só”.

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