Você consegue terminar algo que já acabou?

O fim é como atravessar uma porta. Imagine uma porta na sua frente. Ela está fechada. Você não sabe o que tem do outro lado. Mas sabe que está na hora de atravessá-la. Finalizar uma etapa é como estar num lugar conhecido, como um quarto.

Você sabe como chegou ali, conhece cada recanto do quarto, cada objeto, é uma ambiente que você conhece como a você mesmo. Toca nos móveis, objetos, memórias, pensa nas pessoas que já estiveram ali. É difícil abrir a porta e deixar para trás tudo que você conhece tão bem. Você teme avançar, mas sente que deve. Então, toma coragem e abre a porta, mas fica no portal.

Todavia, continua sem ver o que está do outro lado. Está escuro, há apenas uma luz fraca em algum lugar. Mas ela te chama. Você divaga: pensei que sentiria alguma coisa diferente, alguma certeza. Mas a luz é suave, nada de trombetas ou ribombar de trovões, nada de revelações. Como entrar no novo sem certeza que o novo é para você?

Você olha para traz, para tudo que está deixando e uma voz te diz: não olhe para traz, o futuro é para frente, para o alto…

Não estou falando da morte física, mas a passagem de um estágio para outro da vida. Às vezes, paramos sem conseguir dar um ponto final, ou ficamos esticando ao máximo uma situação, uma fase ou etapa da vida, com medo de encerrá-la. Os finais fazem parte e é preciso avançar, mesmo que o local em que estejamos seja profundamente confortável.

Às vezes, é hora de abrir a porta e seguir em direção ao que nos aguarda depois do portal. Isso pode ser o fim de uma etapa em alguma área da vida, mas será sempre o começo de outra. Pode representar uma mudança de cidade, o fim de relação, de um trabalho, de uma sociedade.

A Morte nos pede para largar, deixar, permitir o fim, ainda que seja preciso chorar, se enlutar. Ainda que seja doloroso. Viva os fins, porque esse é o ciclo natural. Vida e morte, inspirar e expirar, abrir e fechar os olhos. Permita os fins! Abra a porta para uma nova etapa.

A imagem acima é do filme Doutor Jivago, direção de David Lean. Na história, Jivago se despede algumas vezes.

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