Não seja como a manada em disparada

Não seja como a manada em disparada, corre do tiro do homem, mas vai em direção ao abismo

Não siga o fluxo! Não se deixe levar como palha ao vento! É importante manter a distância, a calma e a individualidade. Não se deixar levar pelo medo da violência, do terror, da doença, da morte, da insegurança pelo futuro. São tantos terrores que podem nos paralisar ou diretamente nos levar ao abismo.

Às vezes, corremos de um perigo diretamente para os braços de outro. Uma vez fui assaltado. Depois, passei a ter medo toda vez que via alguém vindo na minha direção na calçada. Principalmente se a pessoa se parecia com as pessoas que haviam me assaltado, dois adolescentes. Essa atitude me incomodava, até que um dia me recusei a continuar assim. Resolvi que preferia continuar acreditando na humanidade do que deixar de acreditar. Preferi continuar a olhar para o outro que vinha na minha direção mais desarmado e esperando o melhor, não o pior, fosse ele quem fosse. Para mim isso era mais importante que um assalto. O medo passou.

Não descarto a necessidade de ter cuidado, afinal o “tiro” pode vir de qualquer lado, de um bandido, da política, da Internet, de alguém que está do nosso lado. Mas não podemos nos deixar levar pela paranóia, por crenças pré-estabelecidas, não devemos nos deixar influenciar pelo externo. Pelo terror do externo. Pela energia de quem, ou o que quer que seja esse externo.

Além disso, temos que conseguir nos isolar, nos apartar do que é ordinário, do que está na cabeça da maioria. No caminho espiritual aprendemos que se a maioria diz algo de nós, ou vê algo, e nós somos os únicos que não concordamos ou não vemos, invariavelmente somos nós que estamos equivocados. Este é um prima. Contudo, há um outro.

A maioria, às vezes, é como uma manada correndo em disparada… Em algumas horas é preciso saber ir contra a maré. Não é fácil, não há reconhecimento, nem aplausos. Na maioria das vezes o que existirá serão críticas e acusações. Mas se a consciência acredita na direção tomada, devemos nos apartar da manada e seguir o trajeto imposto, e o cortejo, ainda que ele seja solitário e, a princípio, cheio de julgamentos e condenações alheias.

A recompensa virá um dia… mas mesmo que não venha, caminhemos e sem expectativas. Como diz Caetano Veloso na música Um Índio. “E aquilo que nesse momento se revelará aos povos, surpreenderá a todos, não por ser exótico, mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio”.

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