Não coma todos os frutos

Na vida, nosso esforço dá frutos saborosos. Esses frutos podem vir na forma de realizações, descobertas, insights, recompensas e metas alcançadas. São aqueles momentos que estamos felizes, até somos tomados pela euforia. Não há nada de mal na alegria, o único problema é esquecer que o ciclo continua, assim como a vida. E se agora estamos em cima, num momento vibrante, estaremos embaixo logo em seguida, num momento mais introspectivo e de prováveis restrições. Assim é o ciclo.

O que acontece é que quando estamos em cima, podemos ficar tão auto-confiantes e satisfeitos que resolvemos comer todos os frutos. Esticar a alegria até depois do fim da festa. Ficamos tão cheios de nós mesmos que nem percebemos que estamos em cima do salto alto. E nesses momentos costumamos passar do ponto e vamos “solando o bolo”, o bolo da nossa própria realização. Neste ponto, qualquer desequilíbrio nos fará cair, e as quedas vêm mesmo, com tombos muitas vezes estrondosos.

E na queda, neste caso, podemos nos dar conta que comemos todos os frutos, ou não. Podemos apenas reclamar e culpar o externo que acreditamos que nos boicota quando estamos felizes.

Todavia, a conta simples. Ao estar em cima, somos iluminados pela vitória. Nos sentimos felizes pelos reconhecimentos, pelos apertos de mão e felicitações vindas com o sucesso. Ficamos inebriados da glória. Essa energia toda ao invés de ser canalizada para o novo momento é gasta com o sentimento de prazer e pelo desejo de continuar recebendo o reconhecimento.

No final das contas, não sobra muita coisa para plantar. E a tendência é que as pessoas comecem a olhar para nós como se estivéssemos permanentemente sob um pedestal. Como se tivéssemos ganho um Oscar e nos recusássemos a parar de andar com ele para cima e para baixo. Queremos ser vistos com o prêmio e vamos nos tornando pedantes, chatos, auto-indulgentes e presunçosos.

Com a queda, o trabalho passa a ser recomeçar, ao invés de alçar um novo voo. Alçaríamos um novo voo se tivéssemos bebido apenas um pouco do copo do reconhecimento, ao invés de tomar todas e cair de porre. Agora, caímos todo o trajeto, voltando “dez passos até o início do jogo” e devemos arregaçar as mangas para uma nova escalada. O único consolo é que, teoricamente, sabemos como subir.

Por isso, quando alcançar um bom resultado, não esqueça de tirar a melhor parte para começar o novo esforço. Os frutos mais saborosos darão as melhores colheitas e um novo plantio ajudará na subida.

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