A consciência é uma flor que nasce na adversidade

O arcano da Justiça nos pede o amadurecimento da consciência. Mas o que vem a ser ter consciência e como podemos adquiri-la? A relação da consciência com o bem e o mal e as nossas escolhas é intrínseca.

Imagine que você está numa tempestade se preparando para fugir de um tornado que está prestes a chegar, e o seu vizinho pede ajuda. Você fica dividido porque seu único desejo é fugir dali e se salvar. Não quer se desviar do seu caminho. Você pode ir embora e depois ter a sua consciência intranquila, martelando que deveria ter feito algo. Ou você pode ficar e ajudar. Neste caso, a escolha do que é o melhor para você se contrapõe ao que se considera que é o bem para o outro.

Nesta história, a opção pode significar vida e morte, tanto para um lado, quanto para o outro e é, naturalmente, difícil. Mas a decisão, seja ela qual for, vai significar um passo para mais próximo da consciência ou mais distante.

Aquele que fica pode dizer para a sua consciência que é uma pessoa que está fazendo o bem, mas no fundo tem uma grande dificuldade de impor sua vontade para outras pessoas. E não conseguiria dizer não. Aquele que vai embora, pode se remoer de remorso, se considerar uma pessoa má, e acreditar que deveria ter feito algo. Ou ainda, simplesmente, não pensar, nem se preocupar mais com o assunto. Pode achar que o problema era exclusivamente do vizinho, não lhe dizia respeito e ele, o vizinho, é que foi  inconveniente.

Digo tudo isto, para deixar claro que não estou falando do que é o certo fazer, mas muito mais do que o resultado da ação causou e causa no interior de cada um de nós. Uma ação negativa pode funcionar como um choque, acordando nossa consciência e nos dando a clareza do que queremos para nós, do que consideramos justo, bom, moral, ético e iluminado.

Outro exemplo, sobre o brotar da consciência. No impulso, uma pessoa pode dizer que outra é burra, feia, ignorante… Ao sentir o efeito que a afirmação causou no outro, a consciência desperta. Quem falou sente a dor por ter cometido o ato. Há uma percepção tanto do mal que provocou, quanto uma espécie de empatia em relação a dor provocada.

Uma ação positiva também pode fazer isso. Aquele que fica para ajudar o vizinho as suas motivações e ver o que é bom ou não no real motivo de ter ficado. A questão sempre será de quanto nos permitimos ser tocados pelos eventos e quão fundo a ação/reflexão atuará em nós construindo um valor inalienável.

Com a consciência desperta, nossa ação passa a imprimir o valor que descobrimos, passamos a ser o valor. É a compreensão de que algo que fizemos não foi bom, não teve um bom resultado interior e não desejamos mais sentir a sensação que nos causou antes, ou ver o sofrimento que causamos no outro.

A consciência do que é o melhor, o valor que descobrimos, se torna algo quase sagrado. Um valor acima do que podemos querer egoicamente. Um valor que será posto em prática custe o que custar ao ego.

O arcano ensina que uma consciência amadurecida está baseada em valores consistentes, e ainda que haja adversidades, esses valores são permanentes. Não são passíveis de fraquejarem, podemos até sentir a dificuldade da escolha, mas a lembrança da dor ou do êxtase sentidos antes, nos mantém na retidão.

Nossa consciência é forjada em meio a dilemas morais e escolhas entre um sentido mais egoico e outro sentido mais elevado. Nesta “disputa”, quando a Alma entra em sintonia com o ego, vai sendo dado à luz a um novo ser. Um ser muito mais Justo e reto.

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