Se o desejo é sincero, o Universo vibra a favor

A cena acima é do filme “A Vida de Pi“, quando um jovem fica preso num bote com um tigre. A relação de amor e medo entre o tigre e o jovem preserva os dois, e aprisiona.

A princípio na história, Pi fica preso com quatro animais. A analogia com partes de nós, como os nossas emoções, pensamentos, racionalizações, partes que vão sendo devoradas num momento extremo, vão sendo subjugadas por outras facetas nossas, parece inevitável.

Talvez seja assim quando tentamos dominar o instinto. Para conviver com o tigre é preciso estabelecer uma estratégia ou a luta será um fracasso. Mas no filme tudo conflui para a sobrevivência improvável do personagem e do tigre. Os acontecimentos, e o mar, levam os dois até a praia do continente.

O filme pode ser visto como uma metáfora sobre a tomada da consciência e o instinto de sobrevivência. Ao pensar sobre consciência e instinto basta lembrar que às vezes queremos demais alguma coisa, mas ela não faz parte de nossa história e as reviravoltas da vida nos levam para longe. Como Pi no naufrágio do seu barco e na perda de toda a família. Não havia como voltar, apenas seguir o incerto, esse era o único lugar possível.

Nessas horas, não adianta se debater, nem achar que está tudo perdido, devemos entender que o melhor é viver cada dia em busca de chegar no amanhã. Neste caminhar, contra o instinto e os desejos que aprisionam, vamos em busca da sobrevivência. Assim, se o que quisemos antes não nos foi dado, ou foi tirado, a única coisa que desejamos agora é querer algo que realmente esteja destinado para nós. Quando estamos machucados, após várias derrotas, queremos desejar apenas algo possível.

Mas para além da dor, é uma questão de sintonia querer aquilo que nos pertence porque faz parte do nosso destino. E é uma questão de sabedoria nem olhar para aquilo que nos desvia da nossa rota. Um ditado egípcio diz: “feche os olhos ao que te causa conflito“. É como dizer, não olhe para aquilo que te enfraquece, te deixa inseguro, te desvia. Feche os olhos e siga na direção que você sabe que é para ser.

Se encontramos essa sintonia, somos abençoados pelo Universo.

Mas como saber o que devemos querer? Num caminho espiritual, devemos querer sempre a luz, o crescimento e a liberdade do instinto inferior.

Todavia, algumas vezes, é verdade, para se libertar desse instinto e crescer, precisamos caminhar em direção ao próprio instinto. Ao viver o instinto conseguimos entendê-lo e estabelecer uma dinâmica de convívio, como Pi e o tigre fizeram. Existe uma outra forma de vencer o instinto, sem mergulhar nele. No entanto, para viver essa outra forma é preciso saber querer, querer ousar e ousar saber.

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