O objeto do desejo

O Arcano do Enamorado conta a história de Adão e Eva. O casal que perdeu o paraíso por uma maçã. Ainda que a haja dúvidas de qual era a fruta em questão, a maçã acabou ganhando a fama da fruta do desejo.

Em outra história, de Branca de Neve, a bruxa má diz a princesa que ela terá seus desejos realizados se comer da maçã. Algo parecido com o que a serpente diz a Eva. Mas no final das contas, Branca, assim como Adão e Eva, cai em sono profundo.

A metáfora serve para nossa vida na matéria. A Kabalah, e os sábios de abençoada memória, nos alertam para o simbolismo do sono, que para eles seria o que é provocado por uma vida voltada para o instinto, para suprir os desejos do ego. Afinal, todos nós queremos a maçã/desejo e essa escolha nos coloca numa luta inebriante.

Acabamos nos inebriando e viciando na vida e nos prazeres dela, como se tivéssemos tomado uma garrafa de bebida. E sobre o efeito desse porre vem o sono, que nos afasta da verdade e do propósito de estarmos aqui, respirando e conscientes. Ficamos tão fixos e inebriados que passamos a ver apenas o desejo.

Há pessoas que ficam obsessivas por algo, mas não pense apenas nessas pessoas quando olhar para os que estão inebriados, mas em todos que têm um desejo que não conseguem largar, ou caminham quase hipnotizados em direção a ele…

Numa outra analogia, é como se a Alma fosse colocada para dormir e apenas o Ego subsistisse na busca de satisfazer seu prazer. O prazer por beleza, dinheiro, sexo, amor, reconhecimento, fama, poder… Talvez a questão seja não comer dar maçã, ainda que ela seja bela e suculenta.

O problema é que para chegarmos aí, a esse desprendimento, precisamos dar muitas dentadas no desejo. E isso pode significar vidas voltando para o “cantinho da reencarnação”…, como brinca a minha mestra, fazendo uma alusão ao “cantinho do castigo” que algumas escolas utilizavam para as crianças malcriadas até a bem pouco tempo…

Desta forma, vamos então mergulhando no prazer até que um dia consigamos nos segurar, e definitivamente, abrir os olhos da Bela. Isso seria como receber o beijo do amor verdadeira dado pelo príncipe encantado. Pensando desta forma, talvez o príncipe, no final das contas, represente uma força muito além desse mundo.

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