A fé que vem do desespero

“Este caminho é desconhecido e, portanto, exige fé. O tipo de fé que provém do desespero. O ponto de chegada não pode ser descrito. Você saberá muito pouco enquanto não chegar lá. Sua viagem será às cegas. Mas o caminho conduz à posse daquilo que você buscou no lugar errado”

O trecho é uma livre tradução da peça The Cocktail Party, do poeta norte-americano T.S.Eliot. A peça é quase um tratado filosófico, mas podemos ver nesse trecho a busca interior, a entrega daquele que empreende a viagem e algumas dicas dessa jornada.

Você saberá muito pouco enquanto não chegar“, “sua viagem será às cegas“, “o ponto de chegada não pode ser descrito“. Em tudo isto podemos ver também o ensinamento do Imperador e na viagem espiritual em busca da iluminação.

Afinal, o arcano nos pede para realizar o aprendizado dentro de nós, realizar a um ponto que o aprendizado venha para fora numa obra. É quase como dizer que precisamos densificar, plasmar, o que conseguimos entender sobre nós e sobre o mundo.

É essa realização exteriorizada – entendendo que ela já foi introjetada antes e realizada dentro, já que realizar fora será uma etapa posterior e servirá como um reflexo do que existe dentro – que servirá de ponto de apoio para que nós alcemos além do plano físico. Para que consigamos chegar aos níveis mais altos do plano espiritual e abandonar a Roda Kármica.

Mas para fazer esse trajeto é preciso chegar a fé do desespero, como diz T.S.Eliot, aquela fé onde não se busca mais controlar o entorno. O único desejo é entender o que acontece dentro de nós, nos libertar de formas que não nos ajudam, raciocínios e pensamentos equivocados, hábitos, complexos que são como bugs num sistema que deveria ser perfeito. Desejamos nos manter permanentemente em estado de êxtase com o Criador, uma das mais gratificantes sensações que se pode alcançar nas meditações e orações. Um estado onde tudo faz sentido e percebemos a interconexão de nossa vida com a Obra…

Ao chegar nesse tipo de entrega, que muitas vezes tem o seu ponto de partida a partir de uma situação de profundo desespero, nos abrimos ao ensinamento da vida e dos nossos mestres sem mais restrições. Sem achar mais que sabemos o caminho sozinho.

Assim, esse ensinamento se enraíza e seus frutos podem ser vistos dentro e fora de nós.

A princípio o caminho é às cegas, vamos tateamos no escuro. Mas ao final, teremos em nós a posse, ou a certeza, de com quais estruturas podemos contar. Quais aspectos da personalidade precisam ser transformados, quais precisam ser resgatados e integrados e quais devem ser abandonados.

O lugar errado que T.S.Eliot fala no trecho, entendo ser os vários desejos que nos distraem, desejos que vão desde ter uma relação afetiva como uma salvação do vazio, até ter um emprego que nos preencha o desejo por aplausos. Vamos chegando a conclusão que nada disso é solução ou nos preenche de fato.

No final das contas, fica o lembrete: este caminho só pode ser conhecido por quem o percorre e ninguém que já o percorreu um dia conseguirá traduzi-lo totalmente para quem ainda não o viveu. #thecocktailparty

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