O mergulho interior

O mergulho interior é inevitável num caminho espiritual. Nessas águas interiores entramos em contato com medos, inseguranças, traumas, hábitos, crenças e padrões que foram estabelecidos no passado e que, muitas vezes, nem lembramos mais porque fazemos ou pensamos deste ou daquele jeito. Esse mergulho é a oportunidade de começar a desconstruir isto. Muitas vezes o primeiro mergulho vem com uma crise ou num processo de busca de resolver uma insatisfação ou vazio… Como pode ser um processo doloroso, muitos tendem a querer ver e resolver tudo o mais rápido possível e de uma única vez. Não dá para ser rápido, ainda que não precise ser sofrido.

Aprendi com a minha mestra, Tânia Carvalho, a fazer a relação dessas águas interiores com um lago ou um poço.

Vamos imaginar assim… Você esta na beira de uma lago, ele é fundo, você nunca mergulhou. É humanamente improvável que no primeiro mergulho você chegue no fundo. Normalmente, vamos querer ir nos acostumando com o lago, o chão onde é mais firme e onde é mais lamacento, o calor ou o frio das águas, se elas são claras ou turvas, e quanto de tempo conseguimos prender a respiração dentro d`água. Vamos aprendendo isso aos poucos. Então, é preciso calma, não adianta querer chegar ao fundo do lago no primeiro mergulho, aos poucos vamos nos habituando com a água, a temperatura, a luz, e vamos ampliando a capacidade de armazenar oxigênio para ir mais fundo. Na verdade, nós aprofundamos de fato o mergulho a medida que vamos caminhando na trilha espiritual…

E apesar de muitas vezes se ter medo desse mergulho e dos “monstros” que imaginamos estarem lá no fundo (monstros criados/imaginados por sentimentos de egoísmo, orgulho, inveja e traumas do passado, muitas vezes), a medida que vamos nos aprofundando percebemos mais e mais, que não há nada de assustador lá. De fato, passando as águas tumultuadas inicias, podemos ver e sentir a luz que está no mais profundo do nosso ser, é nossa Alma. É ela que nos “provoca” através dos eventos para que acordemos. Ela quer que nos aproximemos do real propósito da vida 🙏

No caminho espiritual voltamos diversas vezes a essas águas, até que se torne normal mergulhar. E a cada novo mergulho, depois de passadas as dificuldades iniciais, vamos descobrindo possibilidades diferentes de ser e viver. E nos descobrimos muito mais livres do que éramos antes. No final das contas, são essas águas que nos ajudam a revelar a luz da nossa Alma e a perceber a vontade do Alto. E tudo isto tem muito a ver com a Papisa.

Uma analogia

Mas há pessoas que têm muita dificuldade de mergulhar. Vamos fazer uma analogia. Uma panela, água, ovos e fogo. Algumas pessoas funcionam como ovos que não afundam, não tocam a parte mais densa, permanecem com a cabeça na superfície. Têm medo de perder o controle. Quando isso acontece, às vezes, para que essas pessoas possam ir mais fundo, a vida traz uma torrente de acontecimentos e parecemos aquelas pessoas que ficam levando “caldo” das ondas na praia, por mais que se queira sair, somos arrastados pela nova onda.

Melhor se permitir chegar ao fundo do poço, do lago, da questão, e deixar que o processo aconteça por inteiro. Permitir que a transformação se complete. Sairemos de tudo isso transformados, como uma lagarta 🐛 que vira borboleta 🦋 , ou mais maduros, mais concientes de quem somos, e do que estamos fazendo aqui. E ainda para que servimos.

Por mais prosaicos que possam parecer os ovos como analogia, achei importante fazer uma analogia simples. Como dica de cozinha, os ovos que não mergulham na água podem estar estragados, ou apenas não estarem completos, não estando todo preenchidos de clara, como se ele não tivesse “crescido” o suficiente ainda.

A Papisa ensina a entender, mergulhar, ver e reconhecer o que existe dentro de nós. Limpar o que precisa ser limpo. Esse trabalho faz parte do processo inicial de contato com a Alma e ele vai acontecendo paralelamente a uma aproximação com o espiritual. É um trabalho de purificação. Reconhecemos, purificamos e transformamos na mesma medida que nos aproximamos da Alma. É um processo de nos assemelhar com nossa parte sagrada. Na maioria das vezes não é fácil, e é bom procurar a ajuda de um terapeuta, de meditação, o conforto de livros que nos falem do espiritual e boas companhias, assim como as orações.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: